Lenda

[Fotografia por Adriano Baptista]
Desfizémos a casa com nossos desejos.
Hoje de manhã, quando acordei
já não havia o teu corpo sobre o meu,
nem vestígios dos teus dedos
nos desenhos do meu corpo;
apenas um conjunto de vincos solitários
nos lençóis brancos que me ocupavam a cama.
Sussuram-me a tua ausência pela manhã,
como quem conta um desses grandes romances
probidos pelo tempo e pelo destino,
uma história guardada pelos deuses,
perdida nos recantos da eternidade.
Os copos vazios continuavam estendidos no chão
e aquele céu estrelado que ocupara a janela,
rápido se tornou num halo de luz quente.
O teu nome ainda se escrevia em todas as paredes
como uma lenda que perdura
para ser ensinada a quem vem.
Li o bilhete que deixaste morrer em cima da mesa.
“Não temas o vazio dos lençóis,
e não ouças as mentiras que te contam.
Voltarei assim que o destino o entenda…
mas não te deixo, não te deixo nunca.”
[...]
Daniela







Dá-me uma pele branca