Talvez o tempo passe sem se lembrar de mim, ou talvez esquecendo-me.
E que sou eu?
Quem me pôs aqui, porquê?
Anda com essa bosta, leva-me para casa.
Talvez o tempo passe sem se lembrar de mim, ou talvez esquecendo-me.
E que sou eu?
Quem me pôs aqui, porquê?
Anda com essa bosta, leva-me para casa.
Falar sozinha começa-se a tornar um hábito e as conversas que tenho comigo até chegam a ser interessantes (ou ridículas). Depois de lamber os restos do sabor do café que me aqueciam os lábios, agora gretados pelo frio de janeiro, e de ter umas quantas conversas meio filosóficas, a minha cabeça não descansou sobre algumas questões.
O facto de existirem mundos paralelos foi algo que sempre me ocupou um pouco a cabeça e talvez comece a tornar-se algo que me faz parar e pensar um pouco sobre o assunto. Mesmo que para isso tenha de afundar os meus pensamentos numa chávena de qualquer coisa bem quente que me dê um abanão nos habitantes mais disponíveis do meu cérebro.
Era o meu reflexo que habitava o pedaço de janela a meu lado. O autocarro esperava a entrada de outros seres e eu ia olhando para mim e pensando o que era aquele reflexo. Se era ele que existia, se era eu. Pensei que o café me tinha feito mal… mero acaso. A noite já me ia escurecendo os pensamentos e as teorias questionavam-se umas às outras.
Olhei todos à minha volta. Pelo menos os quatro que adormeciam nos bancos mais próximos. Alguém atrás de mim tinha uma conversa pelo telefone meio desinteressante…ok não tenho nada a ver com isso. Nem mesmo com os que estavam à minha frente… Estupidez.
Os prédios fugiam-me pelo vidro, e as árvores pareceram-me planos [no pedaço que tentei fechar a mente a conceitos previamente estipulados], os carros habitavam as ruas como desenhos de cidades que, também, adormeciam com o dia.
Lembrei das questões [quando ainda me deliciava com o café quente e pequenos golos do teu leite com chocolate] que puseste. Quem me diz que todos eles são seres inanimados ou mesmo o contrário? Quem me prova que eles não existiam realmente? O que é existir? Ser?
Conceitos, conceitos e mais conceitos. Palpável, sabor, tacto, visão…Sentidos. Todo um conjunto de coisas que me encurralavam em fotografias do desconhecido.
Sonhos. Desci do autocarro com esta palavra na cabeça. Sonhos. Mundos paralelos. Plim…porque não?
Formei a minha tese sustentada apenas pelo o efeito da cafeína ou talvez não.
De noite morremos para este mundo e abrimos as portas para qualquer tipo de universos. Ok… Isto está confuso. É como se nascêssemos para realidades completamente diferentes e nessas tivéssemos uma vida paralela a esta, num espaço temporal diferente mas ao mesmo tempo igual. Então quando voltamos a este mundo, ao nosso por definição, temos meros vislumbres [e é quando os temos] do que se passou. É como se fosse uma história em aberto.
Talvez do outro lado tenhamos uma vida, um ideal ou um conjunto deles. Talvez nesse mundo tenhamos os mesmo pensamentos, as mesmas regras ou talvez não.
”Bolas Dany, de novo a falar sozinha! Deixa-te disso”, pensei.
E numa quebra da sequência de pensamentos tirei as chaves da mala e entrei em casa.