regresso longínquo.

[fotografia por mim]
O teu nome é uma lenda já gasta nas paredes desta casa. Desde que partiste todas as manhãs nascem distantes nas quadrículas quebradas das janelas e todas as vezes que o sol se põe leva consigo a tristeza de mais um dia entregue ao vazio dos quartos. Já não existem os teus passos leves sob o soalho, nem lembranças do teu corpo espalhadas por aqui… Sempre que encosto o meu corpo à porta sinto a saudade consumir-me e a ameaça de lágrimas que, em dias, me pediste que guardasse.
Custa-me, ainda, olhar para o que já não existe aqui.
Ah, quantos luares terão morrido la fora, quantas estrelas terão preenchido o céu para que as vissemos do nosso banco preferido do jardim, quantas noites frias terão esperado que nos entregássemos aos braços um do outro, quantas vezes terei gritado o teu nome ao vento esperando que me ouvisses e pudesses voltar.
As cartas que te deixei junto à porta, ainda lá estão; nunca mais consegui pegar numa folha e enchê-la de saudade. Dói tanto saber que não estás.
Daniela





