tempo. tempo. tempo.
Olha para mim. Vê como a música esquece o tempo e o meu corpo se perde no tempo que desorganiza os meus movimentos. Se um dia te lembrares disto saberás que o meu corpo se rende a impulsos movimentados de um ritmo inconstante. Não me agarres, não me mintas. Leva-me para a cama e beja-me com esses lábios de vinho. Toca-me com as tuas mãos e diz-me que o tempo deixou de existir. Diz-me que não há mais do que havia. Diz-me que o teu corpo sempre quis o meu como agora e que a noite ainda mal começou. Põe-me debaixo de ti e mente-me, enfraquece-me com esse olhar que esconde o universo e traz galáxias misteriosas. Leva-me à lua e diz que é para isso que existes, talvez que o tempo não faça sentido algum ou que os deuses se esqueceram da chave de um paraíso longínquo e que a encontraste.Diz-me que foi só a mim que quiseste levar. Agora. Sem tempo. Que esse já não dá nada. Corre apressado, como apressado está o teu coração. Sinto-o. Mesmo junto ao peito num pulsar galopante. A tua mão na minha anca, nas pernas e em sítios escondidos dos olhares perseguidores.
Enfraqueces-me. O olhar, o toque, o cheiro, a voz. O jeito de ser de quem não teme, não escuta, não guarda.
Sinto saudades. Do que foi e do que é. Pois o tempo avança sem tempo para guardar o que há de gravar na memória. Gritos, oh gritos esses que saem quando o corpo já não guarda conceitos do que é certo. Sinto-me estremecer mais que os ponteiros do relógio gago que te sai dos lábios dizendo: “Quero-te tanto”. Ainda que por uma noite.
Se te quero.
Um cigarro, dois. Copo vazio. Palavras secas dessas trocas de beijos fugaz que jaz nos corpos já trémula pela manhã que avança.
Oh o tempo, esse filho da puta que avança e não espera. O tempo não é mais tempo.
Esqueci. Agora só o teu abraço.
Daniela
