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	<title>Two beds and a coffee machine</title>
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	<description>another ditch in the road you keep moving...</description>
	<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 01:03:13 +0000</pubDate>
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		<title>fim.</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 01:03:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p><br />
<br />
&#160;&#160;&#160; Novo blogue:<br />
&#160;&#160;&#160; <a href="http://quandootemponaoexiste.blogspot.com/">http://quandootemponaoexiste.blogspot.com/</a></p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>&#160;&#160;&#160; Novo blogue:<br />
&#160;&#160;&#160; <a href="http://quandootemponaoexiste.blogspot.com/">http://quandootemponaoexiste.blogspot.com/</a></p>
</div>
<div></div>
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		<title>foz.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2009/03/09/foz/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2009/03/09/foz/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 03:03:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<img src="http://amadeo.blog.com/repository/156490/3971217.jpg" /><br />
<br />
As saudades chegam como ondas que se desmancham nas brumas da primavera. Sente-se já o calor dos encontros lambozados de fruta e de descoberta e fazem-se as malas para arrumar as palavras frias do inverno. Encostam-se as árvores às costas de quem se estende para ver mais um pôr do sol e são breves os instantes em que se sente a vontade de chegar a casa. Passam rápido, destroem relógios de horas rotineiras e deixam-nos sentados cheios de sonhos e nadas, palavras ou silêncios, sorvendo apenas a chegada da primavera.&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;<br />
<br />
&#160;&#160;&#160;&#160; Daniela
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><img src="http://amadeo.blog.com/repository/156490/3971217.jpg" /></p>
<p>As saudades chegam como ondas que se desmancham nas brumas da primavera. Sente-se já o calor dos encontros lambozados de fruta e de descoberta e fazem-se as malas para arrumar as palavras frias do inverno. Encostam-se as árvores às costas de quem se estende para ver mais um pôr do sol e são breves os instantes em que se sente a vontade de chegar a casa. Passam rápido, destroem relógios de horas rotineiras e deixam-nos sentados cheios de sonhos e nadas, palavras ou silêncios, sorvendo apenas a chegada da primavera.&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;</p>
<p>&#160;&#160;&#160;&#160; Daniela
</p></div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>último suspiro.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2009/01/24/ultimo-suspiro/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2009/01/24/ultimo-suspiro/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 21:15:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[há muito que o tempo rasga a alma em amarguras e saudade. não existiram os minutos de palavras correctas, nem talvez a vontade de voltar. rasgo-me em pedaços de saudade e deixo tudo o que é de mim morrer nas palavras que sempre me mataram. não espero que voltes, não. talvez o caminho seja esse e nós nunca nos deveríamos ter conhecido.<br />
ilusões que o tempo destrói.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>há muito que o tempo rasga a alma em amarguras e saudade. não existiram os minutos de palavras correctas, nem talvez a vontade de voltar. rasgo-me em pedaços de saudade e deixo tudo o que é de mim morrer nas palavras que sempre me mataram. não espero que voltes, não. talvez o caminho seja esse e nós nunca nos deveríamos ter conhecido.<br />
ilusões que o tempo destrói.
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>estações.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2008/12/09/estacoes/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2008/12/09/estacoes/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 18:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p>desmancham-se as primaveras no meu corpo. a saudade cai como as folhas vermelhas de outono que pesam na memória. vejo-as correr pela janela da vida, como um vislumbre de outro desses finais de tarde submersos em cigarros e conversa. sem tempo.<br />
desfazem-se os relógios em recordações, em horas presas ao que hoje não existe mas deambula pelas pontas do desejo. nos lençóis ainda se escreve a tua ausência, com sonhos o teu corpo e num suspiro o teu beijo.<br />
abraço-te por fim. esse momento que não foi mais que uma doce alucinação.<br />
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<br />
Daniela</p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>desmancham-se as primaveras no meu corpo. a saudade cai como as folhas vermelhas de outono que pesam na memória. vejo-as correr pela janela da vida, como um vislumbre de outro desses finais de tarde submersos em cigarros e conversa. sem tempo.<br />
desfazem-se os relógios em recordações, em horas presas ao que hoje não existe mas deambula pelas pontas do desejo. nos lençóis ainda se escreve a tua ausência, com sonhos o teu corpo e num suspiro o teu beijo.<br />
abraço-te por fim. esse momento que não foi mais que uma doce alucinação.<br />
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<br />
Daniela</p>
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>saudade nua</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2008/12/05/saudade-nua/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2008/12/05/saudade-nua/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Dec 2008 06:44:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<p>Arrasto me nesta loucura incessante de ti, desse querer que hoje me consome e me mata. Esse adeus que não foi tocado, olhado, abraçado. Ardem me no corpo todas as estações que passam sem ti. Doem como cicatrizes fundas de beijos de outrora. Abrem-se no corpo como frexas de uma memória de ti, criança da lua.<br />
Ainda espero que voltes. Aguardo o sussuro debaixo do ouvido e o calor de um regressoque longe se avizinha. Não te guardo mágoas, não. Apenas o peso das escolhas que hoje aumentam a tua ausência.<br />
<br />
Tenho saudades do mar. Do pôr do sol. Das horas que sumiam.<br />
Hoje seria diferente.<br />
<br />
<br />
<br />
Daniela</p>

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Arrasto me nesta loucura incessante de ti, desse querer que hoje me consome e me mata. Esse adeus que não foi tocado, olhado, abraçado. Ardem me no corpo todas as estações que passam sem ti. Doem como cicatrizes fundas de beijos de outrora. Abrem-se no corpo como frexas de uma memória de ti, criança da lua.<br />
Ainda espero que voltes. Aguardo o sussuro debaixo do ouvido e o calor de um regressoque longe se avizinha. Não te guardo mágoas, não. Apenas o peso das escolhas que hoje aumentam a tua ausência.</p>
<p>Tenho saudades do mar. Do pôr do sol. Das horas que sumiam.<br />
Hoje seria diferente.</p>
<p>Daniela</p>
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>apenas um desabafo.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2008/11/19/apenas-um-desabafo/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2008/11/19/apenas-um-desabafo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 14:04:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[secam as palavras na boca e tudo aquilo que antes podia ser traduzido em palavras é, hoje, uma lufada gelada de ódios. deixo-me morrer aos poucos...<br />
dizem que o tempo cura tudo...mas, aqui, apenas aumenta a distância e o vazio dos sentimentos.<br />
<br />
<br />
Daniela
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>secam as palavras na boca e tudo aquilo que antes podia ser traduzido em palavras é, hoje, uma lufada gelada de ódios. deixo-me morrer aos poucos&#8230;<br />
dizem que o tempo cura tudo&#8230;mas, aqui, apenas aumenta a distância e o vazio dos sentimentos.</p>
<p>
Daniela
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>quando não voltas.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2008/05/17/quando-nao-voltas/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2008/05/17/quando-nao-voltas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 May 2008 23:58:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<img align="bottom" src="http://amadeo.blog.com/repository/156490/3179066.jpg" /><br />
<br />
[fotografia por Daniela Morgado]<br />
<br />
<br />
<br />
<br />
Aqui a chuva morre na janela<br />
num compasso agitado do tempo<br />
e lá fora não há mais que<br />
o frio cortante que esconde os corpos.<br />
<br />
Os meus dedos escorregam por<br />
aquilo que podia ser o teu nome<br />
nos vidros embaciados.<br />
Se lá fora te encontrasse,<br />
talvez saísse por estas ruas cinzentas<br />
só para abraçar o calor da tua presença.<br />
<br />
Assim, deixo-me aqui envolta<br />
em tudo aquilo que me lembra de ti...<br />
Não, não aches estranho,<br />
tudo o que me aquece em dias vazios<br />
é o conforto das memórias que jazem nesta cama.<br />
A tua imagem continua aqui ao meu lado<br />
como uma alucinação constante,<br />
uma droga paa me esquecer<br />
que talvez nunca voltes.<br />
<br />
Se não me quiseres, não me digas.<br />
Prefiro continuar a acreditar nas cartas de amor<br />
com que me pintaste o corpo.<br />
<br />
<br />
<br />
Daniela Morgado
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><img align="bottom" src="http://amadeo.blog.com/repository/156490/3179066.jpg" /></p>
<p>[fotografia por Daniela Morgado]</p>
<p>
Aqui a chuva morre na janela<br />
num compasso agitado do tempo<br />
e lá fora não há mais que<br />
o frio cortante que esconde os corpos.</p>
<p>Os meus dedos escorregam por<br />
aquilo que podia ser o teu nome<br />
nos vidros embaciados.<br />
Se lá fora te encontrasse,<br />
talvez saísse por estas ruas cinzentas<br />
só para abraçar o calor da tua presença.</p>
<p>Assim, deixo-me aqui envolta<br />
em tudo aquilo que me lembra de ti&#8230;<br />
Não, não aches estranho,<br />
tudo o que me aquece em dias vazios<br />
é o conforto das memórias que jazem nesta cama.<br />
A tua imagem continua aqui ao meu lado<br />
como uma alucinação constante,<br />
uma droga paa me esquecer<br />
que talvez nunca voltes.</p>
<p>Se não me quiseres, não me digas.<br />
Prefiro continuar a acreditar nas cartas de amor<br />
com que me pintaste o corpo.</p>
<p>Daniela Morgado
</p></div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>relógio febril.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2008/03/22/relogio-febril/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2008/03/22/relogio-febril/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 22 Mar 2008 02:42:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[<em><font size="2" face="arial,helvetica,sans-serif">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Sinto as minhas pernas fundirem-se com o mármore da varanda. Lá fora urge o tempo, encadeiam-se s movimentos em espirais intermináveis de acções.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Corropiam pelo espaço as pessoas. As caras cansadas de dias rotineiros que terminam sempre do mesmo modo. A fadiga é uma atmosfera comum. Pegajosa e febril.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Observo as expressões. Os olhares arrastados e os gestos vazios. Ali, junto à igreja uma mulher caminha bem junto à parede. Diria que faz dela o purgatório dos seus medos,&#160;o refúgio de uma vida. Cruzando-se com ela, um homem, já de olhar grisalho embrulha nas suas mãos um saco cheio de anestesias químicas para as doenças da idade. Não se conhecem mas partilham um momento comum.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Do outro lado da rua duas mulheres de pouca idade conversam alegremente. Partilham a mesma revista bisbilhoteira que, talvez traga uma mão cheia de vida da alta sociedade. Quase que consigo ouvir as suas vozes... Outro homem. Este sentado num banco de jardim, partilhando com o seu cigarro as frustrações da idade. As rugas escorregam-lhe pela pele como marcas temporais de tudo o que se escreve no tempo. O relógio, esqueceu-o. Há muito que o entristece. Talvez pense na mulher que já o deixou, talvez nos filhos que se deixam emaranhados pela vida que os consome, ou apenas que a sua vida não passou de um pré-requisito para o orgulho da família que também já, quase, não existe.&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Uma mulher e uma criança. Andam pelas ruas com alguns sacos de materialismos, sem deixar de pensar na hora do jantar em família, marcado para as oito. Os relógios marcam o compasso dos gestos, a regularidade dos dias. A presença do marido, a conversa do tempo que passou por um dia, a boa nota, o mau comportamento, o artigo que mais se vendeu, o casaco que fazia falta para o Inverno, as contas que se juntam na gaveta, o dinheiro para os filhos, para o carro, a casa... Rotina. Dias.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O trânsito moderado que chama uma buzina aqui e ali, o sol quente que apaga um novo ciclo e a brisa que me traz as vidas dormentes da cidade ao entardecer. Tantas caras, tantos recortes desta existência. Tantas palavras que ficam por dizer, mesmo agora, quando o tempo em mim pára. As vidas fluem debaixo do meu olhar, sem sequer saberem que por um momento existe alguém parado no presente, imaginando tudo o que os trouxe aqui.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Hoje o meu corpo foi a brisa que&#160;deambulava pelas ruas. O peso de um&#160;suspiro.<br />
<br />
<br />
Daniela</font></em>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><em><font size="2" face="arial,helvetica,sans-serif">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Sinto as minhas pernas fundirem-se com o mármore da varanda. Lá fora urge o tempo, encadeiam-se s movimentos em espirais intermináveis de acções.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Corropiam pelo espaço as pessoas. As caras cansadas de dias rotineiros que terminam sempre do mesmo modo. A fadiga é uma atmosfera comum. Pegajosa e febril.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Observo as expressões. Os olhares arrastados e os gestos vazios. Ali, junto à igreja uma mulher caminha bem junto à parede. Diria que faz dela o purgatório dos seus medos,&#160;o refúgio de uma vida. Cruzando-se com ela, um homem, já de olhar grisalho embrulha nas suas mãos um saco cheio de anestesias químicas para as doenças da idade. Não se conhecem mas partilham um momento comum.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Do outro lado da rua duas mulheres de pouca idade conversam alegremente. Partilham a mesma revista bisbilhoteira que, talvez traga uma mão cheia de vida da alta sociedade. Quase que consigo ouvir as suas vozes&#8230; Outro homem. Este sentado num banco de jardim, partilhando com o seu cigarro as frustrações da idade. As rugas escorregam-lhe pela pele como marcas temporais de tudo o que se escreve no tempo. O relógio, esqueceu-o. Há muito que o entristece. Talvez pense na mulher que já o deixou, talvez nos filhos que se deixam emaranhados pela vida que os consome, ou apenas que a sua vida não passou de um pré-requisito para o orgulho da família que também já, quase, não existe.&#160;<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Uma mulher e uma criança. Andam pelas ruas com alguns sacos de materialismos, sem deixar de pensar na hora do jantar em família, marcado para as oito. Os relógios marcam o compasso dos gestos, a regularidade dos dias. A presença do marido, a conversa do tempo que passou por um dia, a boa nota, o mau comportamento, o artigo que mais se vendeu, o casaco que fazia falta para o Inverno, as contas que se juntam na gaveta, o dinheiro para os filhos, para o carro, a casa&#8230; Rotina. Dias.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O trânsito moderado que chama uma buzina aqui e ali, o sol quente que apaga um novo ciclo e a brisa que me traz as vidas dormentes da cidade ao entardecer. Tantas caras, tantos recortes desta existência. Tantas palavras que ficam por dizer, mesmo agora, quando o tempo em mim pára. As vidas fluem debaixo do meu olhar, sem sequer saberem que por um momento existe alguém parado no presente, imaginando tudo o que os trouxe aqui.<br />
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Hoje o meu corpo foi a brisa que&#160;deambulava pelas ruas. O peso de um&#160;suspiro.</p>
<p>
Daniela</font></em>
</div>
<div></div>
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		</item>
		<item>
		<title>cartas de amantes.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2008/02/18/cartas-de-amantes/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2008/02/18/cartas-de-amantes/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2008 22:42:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
		<guid isPermaLink="false"></guid>
		<description><![CDATA[<br />
<br />
<font size="2"><em><font face="arial,helvetica,sans-serif">Tenho os desejos&#160;em cada esquina do corpo. A carne arde pela tua presença, pelo toque atrevido das tuas mãos. Desejo os teus lábios como nunca, a viagem dos teus dedos por planicies de pele clara. Ah entra em mim e tira-me tudo o que guardei para dizer agora, arranca-me a alma num suspiro e usa o meu corpo para matar tudo o&#160;que, também em ti, arde.&#160;<br />
Abraça-me no fim e diz&#160;que me queres, por uma noite, duas, para sempre.<br />
Só te queria aqui.&#160;<br /></font><br />
<br />
<font face="arial,helvetica,sans-serif">Daniela Morgado</font></em></font>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p><font size="2"><em><font face="arial,helvetica,sans-serif">Tenho os desejos&#160;em cada esquina do corpo. A carne arde pela tua presença, pelo toque atrevido das tuas mãos. Desejo os teus lábios como nunca, a viagem dos teus dedos por planicies de pele clara. Ah entra em mim e tira-me tudo o que guardei para dizer agora, arranca-me a alma num suspiro e usa o meu corpo para matar tudo o&#160;que, também em ti, arde.&#160;<br />
Abraça-me no fim e diz&#160;que me queres, por uma noite, duas, para sempre.<br />
Só te queria aqui.&#160;<br /></font></p>
<p><font face="arial,helvetica,sans-serif">Daniela Morgado</font></em></font>
</div>
<div></div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>utopias.</title>
		<link>http://missingpieces.blog.com/2007/12/07/utopias/</link>
		<comments>http://missingpieces.blog.com/2007/12/07/utopias/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2007 14:12:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniela e Jorge</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Um copo de vinho ou dois. Quem sabe até mais. Preciso de um açoite nas palavras que se escondem e, hoje, não querem sair. É certo que a noite é uma criança mas o papel morre seco na saudade do toque da tinta.<br />
O som distante e ciumento do violino distrai a escrita que não nasceu. Soam como gritos de outrora, pequenos segredos das marés que brotam no corpo. Partilho o vazio desta página com mais um cigarro. Transformo o gesto numa metáfora. E serão as cinzas as minhas palavras, o corpo mole que arde a minha fatalidade. E então, as ondas que se torcem no espaço como fantasmas do tempo, serão apenas a poesia do momento. Utopias.<br />
<br />
<br />
Daniela
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Um copo de vinho ou dois. Quem sabe até mais. Preciso de um açoite nas palavras que se escondem e, hoje, não querem sair. É certo que a noite é uma criança mas o papel morre seco na saudade do toque da tinta.<br />
O som distante e ciumento do violino distrai a escrita que não nasceu. Soam como gritos de outrora, pequenos segredos das marés que brotam no corpo. Partilho o vazio desta página com mais um cigarro. Transformo o gesto numa metáfora. E serão as cinzas as minhas palavras, o corpo mole que arde a minha fatalidade. E então, as ondas que se torcem no espaço como fantasmas do tempo, serão apenas a poesia do momento. Utopias.</p>
<p>
Daniela
</div>
<div></div>
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