Wednesday, May 30, 2007

s/t

ele disse-me tantas vezes que o céu era o limite. nada mais depois disso. dizia-o vezes sem conta enquando o dia se aconchegava nas costas da primavera ainda jovem. ria-me das suas palavras e contornava-o dizendo que não existiam paredes que aprisionassem a loucura do homem. abraçava-o com um sorriso rasgado pedindo-lhe um beijo e nada mais que um novo olhar sobre o infinito. depois partia.
ele disse-me tantas vezes que o céu era o limite. e de o dizer tantas vezes comecei a olhá-lo de modo diferente. o mar. o céu. a linha. e depois… talvez o nada. talvez as grades que encerravam os sonhos dos humanos. uma porta fechada para aqueles que tentam abri-la de noite quando as estrelas se lhes perdem nos olhos e o mundo lhes foge das mãos. 
ele disse-me tantas vezes que o céu era o limite. abraçava-me depois e dizia que via o céu e o mar nos meus olhos e que o meu sorriso lhe despertava os sentidos. disse tantas coisas que mesmo não as dizendo me faziam corar. os seus dedos, leves sobre o meu rosto, eram segredos que guardava na alma.
ele disse-me tantas vezes…
ele disse-me e partiu.

daniela

Posted by Daniela e Jorge at 20:43:07 | Permalink | Comments (3)

Thursday, May 3, 2007

ao ar livre…

Não sei o que me prende aqui, nem nunca soube. Não existe nada que seja diferente nos outros locais. Talvez o monte de folhas velhas afogadas nas bordas do caminho repletas de nostalgia ou talvez o banco vestido de rascunhos de ninguém alicie um corpo já cansado dos dias. Talvez sejam as mesmas caras, as mesmas expressões ou ainda  barulho do comboio que desce até às nossas cadeiras e nos faz esquecer por segundos o sabor do café envolvido num pau de canela. É tudo perfeito aqui.
Por vezes existe apenas o silêncio que nos cerra os lábios, o olhar que já disse tudo ou o sorriso matreiro.  Ah mas eles não sabem o significado de uma palavra que se deixou ficar no céu da boca e mesmo assim foi direita ao coração de quem a espera. Eles não sabem quão bom é estar sentado naquelas duas cadeiras de sempre, naquela mesa que é sempre a mesma, não sabem o que diz o vento quando te rasga os cabelos e me faz puxar o casaco que dorme em cima da mesa. Eles não sabem tanta coisa…
É assim aqui.
Disseste-me que tinhas de ir.
Deixo-te ir…. deixo sempre. Porque todas as nossas despedidas são como uma promessa silenciada de que amanhã estaremos aqui de novo.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 21:10:45 | Permalink | Comments (4)