Thursday, April 26, 2007

s/ título

sabe bem morrer na costa do teu sorriso,
abraçando os sonhos que te dormem no olhar.

por vezes a noite é fria e os lençóis
não acolhem os desejos do corpo.
a cama vazia é apenas mais um arrepio
que, rápido faz apagar a mão que se estende
procurando talvez uma expressão de fraqueza.

partiste rápido.

sinto-me sem ti.

a falta do teu calor não é mais
que um hábito sistemático ao orgulho.
mas cá dentro não existe a pedra
que antes encontravas.
hoje, tudo aqui chama por ti…

…e tu não vens.

Daniela

 

Posted by Daniela e Jorge at 22:12:02 | Permalink | Comments (6)

Friday, April 20, 2007

tempos.

porque hoje não existem as guitarras debruçadas sobre as pernas, não existem as cartas desarrumadas pelo chão, os cobertores partilhados e os risos que não os deixavam dormir. hoje não existem os passeios pela praia, não existem as histórias à luz das estrelas, não existem os sustos, os abraços. porque hoje, tudo isto se perdeu na arca do passado.

tenho saudades. mas as teias começam a tecer-se sobre a memória.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 22:55:24 | Permalink | Comments (8)

Wednesday, April 18, 2007

o vazio dos dias.

 

Sentam-se os rabos aborrecidos de mais um dia de trabalho. Um a um. Entram devagar e trazem o cheiro cansado que lhes escorre pela pele e a torna suja. No bolso devem guardar as primeiras doenças e alergias de verão trazidas pelo bafo quente que se arrasta pelas ruas e degrada os narizes. A cidade adormece ao cair do sol.
Era capaz de fechar os olhos e fazer o caminho de todos os dias.
A casa cor de rosa com o gato empoleirado na varanda, os prédios verdes com as janelas imundas, um pequeno parque escondido entre alguns arbustos só para os mais curiosos ou para os que escondem os seus vícios. Depois disso são prédios, carros, correrias. Sempre o mesmo caminho, quase sempre as mesmas caras. Trazem o olhar vazio de mais um dia que passou da mesma maneira, entregue à rotina entorpecida e gasta.
Ao final da tarde não há cores que encham de jovialidade as ruas mais estreitas. Nem as crianças que ainda correm nos passeios alimentam as bocas de curtos sorrisos ou a memória de imagens já cobertas de pó.
É assim que aqui morrem os dias.
Imagem por Graça
Texto por Daniela
Posted by Daniela e Jorge at 21:10:51 | Permalink | Comments (1) »