Tuesday, March 20, 2007

Ferida.

De nada se veste meu pensamento.

Meu coração passeia-se rastejante
junto à berma suja e, já, gasta;
o tempo, hoje, parece-me mais lento
lembra-me do vento que tudo afasta.

As janelas caem sobre a rua,
meu corpo deambula sozinho.
Não existem horas, condições
que há muito se perdeu o caminho.

Podia sumir aqui mesmo
que de nada me vale a vida,
deixar de ser, nunca o sendo,
deixar de sentir esta ferida.

Jorge Salgado

Posted by Daniela e Jorge in 22:23:47 | Permalink | Comments (1) »