Ferida.
De nada se veste meu pensamento.
Meu coração passeia-se rastejante
junto à berma suja e, já, gasta;
o tempo, hoje, parece-me mais lento
lembra-me do vento que tudo afasta.
As janelas caem sobre a rua,
meu corpo deambula sozinho.
Não existem horas, condições
que há muito se perdeu o caminho.
Podia sumir aqui mesmo
que de nada me vale a vida,
deixar de ser, nunca o sendo,
deixar de sentir esta ferida.
Jorge Salgado