Monday, October 16, 2006

sem título II

não sabes quantos poemas escrevo para ti;
nem quantas palavras cravo no meu peito
cada vez que espero a tua silhueta no escuro do quarto.
tu não sabes quantos dias passo junto de uma imagem tua
decorando o desenho do teu rosto,
as linhas que se torcem nas tuas mãos.

não espero um dia ter-te, apesar de sonhar
com o teu toque todas as noites.
os teus dedos, imagino-os a escorregarem-me
pelas maçãs do rosto deixando mensagens

perdidas pela eternidade de um gesto.
os teus lábios, desenho-os quando te toco.
o teu calor sinto-o quando me abraças, de noite.
só de noite.

de ti, sei apenas o teu nome e todos os contornos.
de ti, sei de cor os movimentos ondulantes do teu cigarro.
o meu desejo por ti é estranho, tal como tu.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 21:39:25 | Permalink | Comments (1) »

Monday, October 9, 2006

sem título

senta-te aqui, estranho.
hoje apetece-me contar-te uma vida
cheia de nadas e coisas nenhumas.
apetece-me dizer-te que já amei
e já morri por amor,
apetece-me dizer-te que por dentro
sou nada e que por fora já fui de todos.

senta-te, bebe um copo.
dá-me uns minutos do teu tempo,
se é que dele farás alguma coisa.
conta-me que da tua vida nada te sobra.
conta-me também que por dentro és pedra
e por fora já não és nada, nem ninguém.
conta-me que és mero corpo que se arrasta
ao rumo das estações lentas no tempo,
conta-me que o teu nome se perdeu em cartas
de amantes que nunca foram lidas.

diz-me tudo isto e não digas nada.
sejemos estranhos para sempre
e que de ti apenas me reste a recordação
das palavras e do fumo do teu cigarro.

daniela

Posted by Daniela e Jorge at 22:14:24 | Permalink | Comments (2)