Wednesday, September 13, 2006

meu anjo.


[Fotografia por Diana]

Conto os dias que me morrem na janela
e as manhãs frias que me ocupam o vazio dos lençóis.
Os caminhos lá fora já não se lembram de ti
e mesmo que todos os dias lhes grite o teu nome,
esperando que voltes, eles não sabem, já, quem és.
Dizem-me que partiste, e que para onde foste
não existiu nunca um regresso.
Os meus desejos, esses, ainda se escondem na
transparência da vidraça como mensagens que se
afogam entre lágrimas e suspiros de uma saudade cruel;
ainda espero que as leias se forem estas ruas o teu caminho.
Sinto-te distante a cada passo que sei que não dás.

As tuas cartas adormecem comigo sobre o parapeito
e são tuas as últimas palavras que leio
antes de me entregar ao sono.
O papel em que debruçaste as tuas palavras já se verga
ao tempo e a tua letra começa a sumir-se.
Lembras-te de como as soletravas para mim?
Céus, como o teu nome se prende aos lábios
sempre que te espero e não voltas;
o teu perfume, ah o teu perfume enche-me de recordações
quando me deito e te desenho entrelaçado em mim,
como se apenas de um corpo se tratasse.

Não peças que esqueça, não me digas que é impossível.
Um dia, também quererei essas asas que se cravam nas tuas costas,
um dia também será meu um pedaço de céu.
Então, poderei entregar-me à eternidade por um simples toque teu.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 17:35:15 | Permalink | Comments (4)