Tuesday, April 25, 2006

Murmúrios


[Fotografia por mim]

Dorme, meu amor.
A noite já roubou o céu
e as cores manchadas
do crepúsculo não te trazem
a Primavera aos dedos.
A chuva que se demora
no amago das nuvens
já esperou tanto pelo abraço
frio e seco da terra…

Dorme, meu amor.
O dia adormeceu, já,
nas copas das árvores
e a noite aconchega-se
entre as estrelas.

Hoje cantar-te-ei o que quiseres…

Daniela

[Talvez por nada...] 

Posted by Daniela e Jorge at 21:21:10 | Permalink | Comments (2)

Thursday, April 20, 2006

Alma morta

 
[Fotografia por mim]

Tira-me uma fotografia.
Rouba-me o rosto negro
que a vida fez morrer na minha tez.
Arranca-me as lágrimas que
me cantam nas feridas dos lábios.

Tira-me uma fotografia
tira-me a vida, o olhar…
Tira-me tudo.
Quero vê-la; um reflexo
cruel, nítido… tão vazio.
Quero vê-la como se viam
os carvalhos da minha janela,
como se viam os teus cabelos
enrolados nos meus dedos…

Mas se os teus olhos esquecerem
o caminho para casa não
procures mais os meus.
Serão apenas meros reflexos
de uma alma morta
que não guarda mais esse amor.

Daniela

 

Posted by Daniela e Jorge at 21:02:47 | Permalink | Comments (2)

Thursday, April 13, 2006


[Fotografia por mim]

Quando to entreguei, disse que era para sempre.
(’:

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 22:33:01 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, April 12, 2006

Outros nomes…


[Fotografia por mim]


 

 esqueci-me dos nomes
que deixaste espalhados
a desarrumar a geometria
do quarto.

esqueci-me das flores
secas que morrem, ainda,
perto da janela.

esqueci-me do teu cheiro
nas dobras da cama,
do teu respirar ofegante
nas sombras do meu cabelo.

esqueci-me de mim
no vazio solitário
deste quarto.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 22:02:22 | Permalink | No Comments »

Saturday, April 8, 2006

Fantasmas


[Fotografia por mim]

 

Os teus dedos são, agora, fantasmas
sepultados em recantos de mim;
nomes esquecidos que o Outono
me trouxe. As marcas que se
desenham no corpo não têm o sabor
doce das tuas mãos
e o som que enche o quarto
conta-me mentiras que tu me roubaste.

A encosta diante da casa, continua
a ver o brilho das marés morrer nas
escarpas acolhedoras dos rochedos;
e a árvore mais alta do jardim
ainda me esconde o pôr do sol
nas tardes vazias de Verão.

Sabes quantas noites estes lençois
me contaram a tua ausência?
Tantas, quantas aquelas que o
teu nome me encheu as mãos.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 19:40:21 | Permalink | Comments (2)