Saturday, February 25, 2006

Desencontros

[Fotografia por mim]

Quando sentires o cheiro guardado nas estórias deste livro
saberás quantas vezes morri sem o teu regresso,
deixando que o teu sabor me ferisse os lábios vazios
e que a tua imagem mordesse o mármore dourado pelo sol da manhã.

Quando leres as palavras que dobrei entre as páginas da minha existência
saberás que não guardei nenhuma estrela presa noutros abraços,
nem nenhuma rosa murcha entre doces espinhos que
me rasgaram a carne em lágrimas tão amargas quanto a tua ausência.

Quando a noite esconder as palavras que escorregam na geometria deste livro
saberás que os meus dias já não são dias
e que o tempo já não se estende nas rotas do meu corpo.

Daniela

[Sinto tanto a tua falta...]

Posted by Daniela e Jorge in 17:15:41 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, February 22, 2006

Sussurros

“But I promise you this
I’ll always look out for you
That’s what I’ll do

My heart is yours
It’s you that I hold on to.”

Posted by Daniela e Jorge in 22:43:02 | Permalink | Comments (1) »

Monday, February 20, 2006

Um fim em branco

Quebram-se as palavras em teu regaço
e a tua voz adormece a noite
enquanto outras mentes sonham
nas sombras da lua.
As estrelas desarrumadas, lá em cima,
acordam outros mundos nas tuas mãos,
acordam beijos rasgados em teu corpo.
Ferem.
Ardem.

E a saudade rompe na distância de dois corpos,
de duas almas desencontradas.

[...]

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 21:08:07 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, February 16, 2006

Dança comigo.

 
[ Fotografia por mim]

Dança comigo
Ajuda-me a embalar os meus sonhos
e girar à volta do arco iris
Esconde todas as cores na tua mão
e deixa-as fugir por aí…
Esquece o que é o tempo, a eternidade…

Dança comigo.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 19:22:29 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, February 11, 2006

Corpos

  [Fotografia por mim]

Existem outras línguas que se afogam na minha boca,
outras mãos que se perdem nos vales do meu corpo,
desejos que nascem de fantasias selvagens
e que fogem da minha boca num grito de prazer.

Existem copos partidos que dormem ao lado da cama,
uma garrafa vazia que desmaia juntos das escadas,
recordações de uma noite de prazer embriagante.

Existem sabores orgásmicos que morrem nos lábios,
roupas desarrumadas na madeira fria do chão.

Existem corpos…
Dois corpos cansados sobre o canto madrugador dos lençóis.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 20:38:04 | Permalink | Comments (2)

Thursday, February 9, 2006

  [Fotografia por mim]

A tua ausência é fria
como a pedra morta do banco.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 20:49:46 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, February 8, 2006

“Eram apenas crianças. Duas meninas que brincavam juntas nos intervalos das aulas. Duas meninas que descobriam como a vida pode ser feliz e ao mesmo tempo tão inocente. Durante muitos anos, muitos eram os fins de tarde em que o sol desaparecia por entre as árvores daquela escola, e nós fugindo da confusão, subíamos àquela árvore, depois de um dia de aulas. Era como quebrar a rotina. E ali sentadas partilhávamos os nossos segredos e esperávamos que a tarde não terminasse mais. Até todo aquele momento ser quebrado com a chegada dos nossos pais e com um simples “até amanhã” que para cada uma de nós parecia eterno…”

Lembras-te disto? [:

Amo-te estrela minha.

Posted by Daniela e Jorge in 21:41:46 | Permalink | Comments (2)

Monday, February 6, 2006

Almas Vendidas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[Fotografia por mim]

A calçada da rua sempre foi tão negra
quanto agora e nem nos dias em que
o sol ansiava beijar as pedras frias
a bruma se dissipava entre corpos vadios.
O ranger dos saltos provocadores sempre
foi uma estória de desejos feridos sepultados
na beira da estrada.

O vento agreste sempre repudiou
as roupas que me sobrevivem no corpo,
rasgadas e cobertas de marcas de outros amantes
que buscavam em mim o prazer de uma
noite quente, desamparada no fundo de uma garrafa vazia.

Hoje, as memórias salgadas que os meus olhos
expulsam são de tempos distantes…
Dias em que os meus lábios se enchiam de cor
e provocação e o meu corpo se despia
quando a noite engolia o último raio de sol,
e o meu corpo se desenrolava numa dança orgásmica
de raiva por outros corpos, outros amores por ninguém,
e o meu corpo se deliciava com outro toque
que não o teu.

E o meu corpo…

O meu corpo…

Hoje, esses tempos de desejos carnais exacerbados
não se escrevem mais no regaço dos tecidos
que escondem um corpo gasto de uma prostituta.

O meu.

E como um nome esquecido entre as dobras
dos lençóis, o meu corpo quebra-se nos becos
da avenida que camuflam corpos dos quais
também a vida se esqueceu.
E refugiu-me com eles no seio rejeitado da cidade.

Hoje o meu nome é Ninguém.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 20:50:48 | Permalink | Comments (2)

Friday, February 3, 2006

Promessas mortais


[Imagem: direitos de autor por Raul Lourenço]

Sei de tempos em que o sol nascia ali.
Emoldurado nos quatro cantos da minha janela.

Eram manhãs doces, acordadas nos teus braços,
sonhadas no teu corpo.
Tantas as que se desenharam nos vincos suaves
dos lençóis e morreram no calor do teu beijo.

Sei de tempos em que o sol nascia ali. 

Sinto, ainda, o sabor do chocolate quente
e a tua voz chegar-me aos ouvidos pelo mesmo
vento que quebrou a vidraça que escondia
o meu olhar ansioso pelo teu regresso.
 

As manchas de um crepúsculo dourado
não pertencem mais a este céu
e as estrelas que escondias no corpo das árvores,
descobri serem, apenas, beijos que a chuva
ansiava entregar aos braços da terra,
promessas adiadas de um sonho de ninguém.
Tão longe do ser.
Tão perto da alma.

Sentes como tempo mudou?
Não vês que são os mesmos desejos
que corroem o mármore gelado?

Tempo… o tempo.
Sim, o tempo.

Sei de tempos em que o sol nascia ali.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge in 21:55:03 | Permalink | Comments (6)

Wednesday, February 1, 2006

Sombras

 

O tempo corre tão depressa. Os dias mal se sentem nas sombras da pele. A percepção de um olhar desfoca-se entre as paisagens citadinas e os troncos das árvores torcem-se no rasgar de um pôr do sol.
As mãos de criança fugiram das escadas que levavam ao escorrega e os risos que ecoavam ao final da tarde são, agora, meros murmúrios do vento que vem de norte.  

E, é aqui que a saudade começa.

Daniela

 


[Fotografia tirada por mim naquele parque que me enche de saudade]
 

 

Posted by Daniela e Jorge in 21:06:59 | Permalink | Comments (2)