Friday, December 30, 2005

- Se quero? Sabes que nunca quis tanto outra coisa… E a minha vida é tua.
- Amo-te tanto…mas tanto.
- Eu sei. É isso que me faz acordar com um sorriso na cara e me faz lutar por tudo o que sonhamos para nós.
- Isso, para nós. Nunca mais para mim, nem para ti… Para nós!

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Wednesday, December 28, 2005

Nomes

As janelas mostravam-me o caminho que as ondas desenhavam no regaço do mar e o azul que se afogava no reflexo do sol lembrava-me que depois disto não voltaria a tocar no que tinha sido o nosso abrigo.
O caminho fugia e para trás tinha deixado tudo o que um dia pude chamar de meu;  até as roupas que partilhávamos quando as horas nos negavam os lençóis eu esqueci [naquele
armário velho...que também chamávamos de nosso.]
Talvez as lembranças se embrulhem no vento e me visitem em dias mais sombrios, talvez em sonhos… ou talvez nunca mais.

Quando deixei que a porta se fechasse livrei-me do meu nome. Não sei onde ele se escondeu desta vez, mas depois desta viagem nem o tempo se lembrará de quem fui. Depois, ninguém sentirá a falta dos versos que deixei gravados no rosto da lua; tão pouco sentirão a falta do meu nome.
Esse, que morreu quando tu o esqueceste.

Daniela

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Thursday, December 22, 2005

A casa

As cores daquela sala apagaram-se
e nem o quadro desarrumando junto à porta
dava vida aos móveis perdidos no espaço.
O piano, lá no canto, deixou fugir as notas
que adormeceram nas pautas velhas dobradas
pelas façanhas do tempo.
A música que, ainda, cantavam ecoava no
vazio perdendo-se, depois, no parapeito
quebrado de uma janela ausente…
Tenho saudades do cheiro de chocolate quente
que invadia a sala em noites de inverno,
desviando a nossa atenção para os cobertores
guardados, durante um verão, num armário.
Tenho saudades do desenrolar da chave na fechadura
da porta que me sussurrava a tua chegada e me
fazia abandonar os cobertores enrodilhados
no meu corpo,para serem os teus braços a
envolver-me, puxando-me para o sofá.
Tenho saudades das histórias escritas nos teus lábios,
da saudade gravada no teu corpo, da tua voz a embalar-me
quando a televisão era apenas um som de fundo;
tenho saudades de chamar nossas
às memórias que ainda se escondem
nas paredes desta casa.

Daniela

[Pedaço de uma foto de augusto Peixoto]

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Wednesday, December 21, 2005

Destinos



As pétalas demoram-se até aos caminhos
perdidos no berço da floresta;
já nem o vento se ouve por estes recantos.
Os troncos nus das árvores soltam sussurros
apaixonados que esperam a primavera e
são tantas as palavras de amor sufocadas
pelo odor da terra molhada.
Os seus corpos contorcem-se, envolvendo
memórias centenárias que as eternidades
arrastaram para outros mundos distantes;
esse legado não pertence mais aos entes
deste recorte de vida.
O abraço do sol é uma estória que o tempo
contou noutras épocas e deixou aberta
para quem quisesse perder-se nela.
Assim, não seria tão dura a tarefa de
aquecer a alma, nem a de esquecer a dor
das feridas do tamanho da tua ausência.

Fotografia e poema - Daniela

[ Também o tempo se esqueceu de mim...]

Posted by Daniela e Jorge at 15:40:22 | Permalink | Comments (5)

Monday, December 19, 2005

Rotas

As rotas da tua ausência sempre se

escreveram na areia molhada em que me sento.

As melodias que o mar me traz são fragmentos

de cartas que o céu sempre quis entregar-lhe;

não há nada aqui.

Apenas a saudade da tua voz e a carência de ti.

Daniela

[ Imagem - Direitos de autor por Rui ]

Posted by Daniela e Jorge at 14:06:52 | Permalink | Comments (2)

Thursday, December 15, 2005

Terra prometida

Desde que partiste o tempo agarrou-se às nossas lembranças. Destroçou cada pedaço do cheiro dos nossos corpos, fundidos nos lençóis.
Imagens de tempos passados deambulam, agora, pelos restos de casa, dando cor aos quadros velhos que se desarrumam nas paredes ainda firmes. As portadas das janelas vão e vêm com o vento, chocando com a pedra fria das paredes daquela torre, que em tempos mais frios deu abrigo às lágrimas derramadas por deuses. A brisa do oceano ainda se sente naquele baloiço perdido entre o arvoredo do jardim, mas já não alicia a um passeio pelas encostas verdejantes. O mar que se estendia sob olhares cúmplices, continua a um passo de um enorme desejo de liberdade. Voar. A paisagem é a mesma. Verde. Mar. Céu. Perfeito.
Nada nos pertence mais e agora, neste canto de paraíso que é só nosso, o calor dos teus braços lembra-me as tardes em que me contavas histórias em frente da lareira, lembra-me das noites em que aconchegavas segredos em mim para que os meus sonhos se transformassem nos nossos, lembra-me aquele amo-te que disseste ser eterno.
Cumpriste a tua promessa. Ainda eram os teus braços que o meu corpo sentia, tua a respiração que fazia vibrar cada parte do meu corpo, o teu amor que me aquecia o coração… Era tua a minha vida. E aquela, a terra prometida.

Daniela

[ Quero uma coisinha destas ]

 

Posted by Daniela e Jorge at 18:17:30 | Permalink | Comments (2)

Thursday, December 8, 2005

Mar eterno

As ondas rebentam lá ao fundo da praia
e nada mais me chega aos ouvidos
sem ser a triste melodia que se desenrola na areia…
O céu ergue-se carregado de lágrimas contidas
nas mãos de uma estrela que se perdeu
pelos vales negros do universo.
E ele é tão grande…
As janelas do sol, hoje, fecharam-se
num baú de nuvens cerrado pelo toque da chuva;
e os seus raios esqueceram-se do meu corpo.

Aqui, eu sou a concha que o mar não se lembrou
de embrulhar nas suas histórias de navios naufragados,
nas suas memórias de tempestades de gritos e sufocos
presos, agora, no interior de um búzio viajante.
Sou mero corpo rendido ao avanço das quatro estações
preso no relance de um desejo escondido do outro lado do mar.

Daniela

[ Pelo dia de hoje e por todos os que passámos e sonhamos passar juntos. Amo-te ]

Posted by Daniela e Jorge at 22:33:27 | Permalink | Comments (1) »

Monday, December 5, 2005

Pedaços de eternidade

 

    

      Não quero abrir mais as portadas dessa janela e deixar que os raios de sol invadam o pequeno quarto em que nos deitámos naquele quente e doce final de tarde. Aquele quarto com suaves aromas e uma atmosfera envolvente. Não posso deixar que a janela deslize e autorize o vento a entrar roubando o odor de cada parte secreta do teu corpo, do teu cabelo… Tudo isso está ali, naquele quarto em que nós nos entregámos um ao outro e nos unimos como partes do mesmo  todo, como doces amantes que invejam entidades divinas. Não quero!

 

      Não posso deixar que mais uma onda quebre no regaço do mar, desarrumando pequenos grãos de areia e beijando a o ouro estendido ao longo da praia, alterando assim o quadro que pintaste para mim. O sol não poderá cair nunca mais nos braços do oceano pois a luz que fazia brilhar a escuridão do teu olhar pertence-lhe. Não quero!

 

      Não posso deixar que o ponteiro dê mais um salto e que a sua dança se mantenha constante arrastando o tempo no seu movimento palpitante. Assim, o teu beijo não será imortal e o calor do teu corpo junto ao meu não passará de uma linha nos livros da eternidade…

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 21:37:21 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, December 3, 2005

Vincos dourados

“Quero te tanto…”

(sussurros)

Os vincos das folhas não me trazem
mais a suavidade do teu toque,
nem os vendavais me devolvem
pedaços do teu sorriso encerrados
nos cofres da eternidade.
Aquele banco lembra-me os beijos trocados
quando não havia mais nada em redor
sem ser o brilho do sol.
Traz-me tantas imagens, tantos sonhos.
Os segredos que partilhámos continuam
escondidos sob o corpo frágil de cada folha…

“Amo-te”

E ela caiu.
Rodopiando com o vento e estatelando-se sobre o chão dourado.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 22:46:05 | Permalink | Comments (2)

Friday, December 2, 2005

Restos de desejos

 Dá-me uma pele branca

Um rosto pintado em tons de neve,

Dá-me um cabelo negro

desenhado pos caracóis rebeldes…

Uns olhos verdes repletos de imagens

que escorrem de um calendário velho

pertencente a outras histórias que não

as minhas…

Dá-me um corpo..

O teu…


Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 22:19:20 | Permalink | Comments (4)