Submersos pelo tempo…

Felizmente o baloiço continuava no sítio. Hospedado na sombra de uma árvore centenária que nos deu sombra ao longo de tantas tardes de calor. Passaram-me tantas imagens pela cabeça. Frechas de memórias, imagens incompletas, sons, murmúrios que o vento guardou tão bem.
Oh céus, como me lembro dos pores do sol que presenciámos ali, ao som de uma viola coberta de palavras e carinhos, como me lembro dos risos que ecoavam no nada; as covas que deixávamos na relva por nos termos sentado em cima dela. “Que fotografia!” E as piadas? Os gestos e os abraços?
Quando me voltei a sentar no baloiço ele cantava solitário, sem vozes ou acordes que o acompanhassem naquela canção de despedida…E tinha uma melodia tão estranha, tão vazia…
Daniela
[ Hoje falei com Deus ]