fim.
Novo blogue:
http://quandootemponaoexiste.blogspot.com/
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As saudades chegam como ondas que se desmancham nas brumas da primavera. Sente-se já o calor dos encontros lambozados de fruta e de descoberta e fazem-se as malas para arrumar as palavras frias do inverno. Encostam-se as árvores às costas de quem se estende para ver mais um pôr do sol e são breves os instantes em que se sente a vontade de chegar a casa. Passam rápido, destroem relógios de horas rotineiras e deixam-nos sentados cheios de sonhos e nadas, palavras ou silêncios, sorvendo apenas a chegada da primavera.
Daniela
desmancham-se as primaveras no meu corpo. a saudade cai como as folhas vermelhas de outono que pesam na memória. vejo-as correr pela janela da vida, como um vislumbre de outro desses finais de tarde submersos em cigarros e conversa. sem tempo.
desfazem-se os relógios em recordações, em horas presas ao que hoje não existe mas deambula pelas pontas do desejo. nos lençóis ainda se escreve a tua ausência, com sonhos o teu corpo e num suspiro o teu beijo.
abraço-te por fim. esse momento que não foi mais que uma doce alucinação.
Daniela
Arrasto me nesta loucura incessante de ti, desse querer que hoje me consome e me mata. Esse adeus que não foi tocado, olhado, abraçado. Ardem me no corpo todas as estações que passam sem ti. Doem como cicatrizes fundas de beijos de outrora. Abrem-se no corpo como frexas de uma memória de ti, criança da lua.
Ainda espero que voltes. Aguardo o sussuro debaixo do ouvido e o calor de um regressoque longe se avizinha. Não te guardo mágoas, não. Apenas o peso das escolhas que hoje aumentam a tua ausência.
Tenho saudades do mar. Do pôr do sol. Das horas que sumiam.
Hoje seria diferente.
Daniela
Daniela
[fotografia por Daniela Morgado]
Aqui a chuva morre na janela
num compasso agitado do tempo
e lá fora não há mais que
o frio cortante que esconde os corpos.
Os meus dedos escorregam por
aquilo que podia ser o teu nome
nos vidros embaciados.
Se lá fora te encontrasse,
talvez saísse por estas ruas cinzentas
só para abraçar o calor da tua presença.
Assim, deixo-me aqui envolta
em tudo aquilo que me lembra de ti…
Não, não aches estranho,
tudo o que me aquece em dias vazios
é o conforto das memórias que jazem nesta cama.
A tua imagem continua aqui ao meu lado
como uma alucinação constante,
uma droga paa me esquecer
que talvez nunca voltes.
Se não me quiseres, não me digas.
Prefiro continuar a acreditar nas cartas de amor
com que me pintaste o corpo.
Daniela Morgado
Daniela
Tenho os desejos em cada esquina do corpo. A carne arde pela tua presença, pelo toque atrevido das tuas mãos. Desejo os teus lábios como nunca, a viagem dos teus dedos por planicies de pele clara. Ah entra em mim e tira-me tudo o que guardei para dizer agora, arranca-me a alma num suspiro e usa o meu corpo para matar tudo o que, também em ti, arde.
Abraça-me no fim e diz que me queres, por uma noite, duas, para sempre.
Só te queria aqui.
Daniela Morgado
Daniela