Saturday, March 14, 2009

fim.

    Novo blogue:
    http://quandootemponaoexiste.blogspot.com/

Posted by Daniela e Jorge at 01:03:13 | Permalink | No Comments »

Monday, March 9, 2009

foz.

As saudades chegam como ondas que se desmancham nas brumas da primavera. Sente-se já o calor dos encontros lambozados de fruta e de descoberta e fazem-se as malas para arrumar as palavras frias do inverno. Encostam-se as árvores às costas de quem se estende para ver mais um pôr do sol e são breves os instantes em que se sente a vontade de chegar a casa. Passam rápido, destroem relógios de horas rotineiras e deixam-nos sentados cheios de sonhos e nadas, palavras ou silêncios, sorvendo apenas a chegada da primavera. 
    

     Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 03:03:01 | Permalink | No Comments »

Saturday, January 24, 2009

último suspiro.

há muito que o tempo rasga a alma em amarguras e saudade. não existiram os minutos de palavras correctas, nem talvez a vontade de voltar. rasgo-me em pedaços de saudade e deixo tudo o que é de mim morrer nas palavras que sempre me mataram. não espero que voltes, não. talvez o caminho seja esse e nós nunca nos deveríamos ter conhecido.
ilusões que o tempo destrói.
Posted by Daniela e Jorge at 21:15:08 | Permalink | No Comments »

Tuesday, December 9, 2008

estações.

desmancham-se as primaveras no meu corpo. a saudade cai como as folhas vermelhas de outono que pesam na memória. vejo-as correr pela janela da vida, como um vislumbre de outro desses finais de tarde submersos em cigarros e conversa. sem tempo.
desfazem-se os relógios em recordações, em horas presas ao que hoje não existe mas deambula pelas pontas do desejo. nos lençóis ainda se escreve a tua ausência, com sonhos o teu corpo e num suspiro o teu beijo.
abraço-te por fim. esse momento que não foi mais que uma doce alucinação.


Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 18:00:18 | Permalink | No Comments »

Friday, December 5, 2008

saudade nua

Arrasto me nesta loucura incessante de ti, desse querer que hoje me consome e me mata. Esse adeus que não foi tocado, olhado, abraçado. Ardem me no corpo todas as estações que passam sem ti. Doem como cicatrizes fundas de beijos de outrora. Abrem-se no corpo como frexas de uma memória de ti, criança da lua.
Ainda espero que voltes. Aguardo o sussuro debaixo do ouvido e o calor de um regressoque longe se avizinha. Não te guardo mágoas, não. Apenas o peso das escolhas que hoje aumentam a tua ausência.

Tenho saudades do mar. Do pôr do sol. Das horas que sumiam.
Hoje seria diferente.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 06:44:29 | Permalink | No Comments »

Wednesday, November 19, 2008

apenas um desabafo.

secam as palavras na boca e tudo aquilo que antes podia ser traduzido em palavras é, hoje, uma lufada gelada de ódios. deixo-me morrer aos poucos…
dizem que o tempo cura tudo…mas, aqui, apenas aumenta a distância e o vazio dos sentimentos.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 14:04:23 | Permalink | No Comments »

Saturday, May 17, 2008

quando não voltas.

[fotografia por Daniela Morgado]

Aqui a chuva morre na janela
num compasso agitado do tempo
e lá fora não há mais que
o frio cortante que esconde os corpos.

Os meus dedos escorregam por
aquilo que podia ser o teu nome
nos vidros embaciados.
Se lá fora te encontrasse,
talvez saísse por estas ruas cinzentas
só para abraçar o calor da tua presença.

Assim, deixo-me aqui envolta
em tudo aquilo que me lembra de ti…
Não, não aches estranho,
tudo o que me aquece em dias vazios
é o conforto das memórias que jazem nesta cama.
A tua imagem continua aqui ao meu lado
como uma alucinação constante,
uma droga paa me esquecer
que talvez nunca voltes.

Se não me quiseres, não me digas.
Prefiro continuar a acreditar nas cartas de amor
com que me pintaste o corpo.

Daniela Morgado

Posted by Daniela e Jorge at 23:58:45 | Permalink | No Comments »

Saturday, March 22, 2008

relógio febril.

      Sinto as minhas pernas fundirem-se com o mármore da varanda. Lá fora urge o tempo, encadeiam-se s movimentos em espirais intermináveis de acções.
      Corropiam pelo espaço as pessoas. As caras cansadas de dias rotineiros que terminam sempre do mesmo modo. A fadiga é uma atmosfera comum. Pegajosa e febril.
      Observo as expressões. Os olhares arrastados e os gestos vazios. Ali, junto à igreja uma mulher caminha bem junto à parede. Diria que faz dela o purgatório dos seus medos, o refúgio de uma vida. Cruzando-se com ela, um homem, já de olhar grisalho embrulha nas suas mãos um saco cheio de anestesias químicas para as doenças da idade. Não se conhecem mas partilham um momento comum.
      Do outro lado da rua duas mulheres de pouca idade conversam alegremente. Partilham a mesma revista bisbilhoteira que, talvez traga uma mão cheia de vida da alta sociedade. Quase que consigo ouvir as suas vozes… Outro homem. Este sentado num banco de jardim, partilhando com o seu cigarro as frustrações da idade. As rugas escorregam-lhe pela pele como marcas temporais de tudo o que se escreve no tempo. O relógio, esqueceu-o. Há muito que o entristece. Talvez pense na mulher que já o deixou, talvez nos filhos que se deixam emaranhados pela vida que os consome, ou apenas que a sua vida não passou de um pré-requisito para o orgulho da família que também já, quase, não existe. 
      Uma mulher e uma criança. Andam pelas ruas com alguns sacos de materialismos, sem deixar de pensar na hora do jantar em família, marcado para as oito. Os relógios marcam o compasso dos gestos, a regularidade dos dias. A presença do marido, a conversa do tempo que passou por um dia, a boa nota, o mau comportamento, o artigo que mais se vendeu, o casaco que fazia falta para o Inverno, as contas que se juntam na gaveta, o dinheiro para os filhos, para o carro, a casa… Rotina. Dias.
      O trânsito moderado que chama uma buzina aqui e ali, o sol quente que apaga um novo ciclo e a brisa que me traz as vidas dormentes da cidade ao entardecer. Tantas caras, tantos recortes desta existência. Tantas palavras que ficam por dizer, mesmo agora, quando o tempo em mim pára. As vidas fluem debaixo do meu olhar, sem sequer saberem que por um momento existe alguém parado no presente, imaginando tudo o que os trouxe aqui.
      Hoje o meu corpo foi a brisa que deambulava pelas ruas. O peso de um suspiro.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 02:42:02 | Permalink | Comments (2)

Monday, February 18, 2008

cartas de amantes.

Tenho os desejos em cada esquina do corpo. A carne arde pela tua presença, pelo toque atrevido das tuas mãos. Desejo os teus lábios como nunca, a viagem dos teus dedos por planicies de pele clara. Ah entra em mim e tira-me tudo o que guardei para dizer agora, arranca-me a alma num suspiro e usa o meu corpo para matar tudo o que, também em ti, arde. 
Abraça-me no fim e diz que me queres, por uma noite, duas, para sempre.
Só te queria aqui. 

Daniela Morgado

Posted by Daniela e Jorge at 22:42:02 | Permalink | Comments (1) »

Friday, December 7, 2007

utopias.

Um copo de vinho ou dois. Quem sabe até mais. Preciso de um açoite nas palavras que se escondem e, hoje, não querem sair. É certo que a noite é uma criança mas o papel morre seco na saudade do toque da tinta.
O som distante e ciumento do violino distrai a escrita que não nasceu. Soam como gritos de outrora, pequenos segredos das marés que brotam no corpo. Partilho o vazio desta página com mais um cigarro. Transformo o gesto numa metáfora. E serão as cinzas as minhas palavras, o corpo mole que arde a minha fatalidade. E então, as ondas que se torcem no espaço como fantasmas do tempo, serão apenas a poesia do momento. Utopias.

Daniela

Posted by Daniela e Jorge at 14:12:47 | Permalink | Comments (2)